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Irmãos sobrevivem a terremoto na Venezuela e na Colômbia

O drama dos irmãos após o terremoto O terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho mudou para sempre as vidas de Deivi Delfín, de 15 anos, e seu irmão Winder, de 17 anos. Os dois adolescentes enfrentaram a perda trágica de sua mãe, Yusmani, de seu irmão mais novo, Moissés,…

Atualizado em 16/09 12:05 6 min leitura 👁 13 visualizações

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Imagem da matéria: Os irmãos que perderam a mãe no terremoto da Venezuela e agora sofrem com o tremor na Colô

O drama dos irmãos após o terremoto

O terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho mudou para sempre as vidas de Deivi Delfín, de 15 anos, e seu irmão Winder, de 17 anos. Os dois adolescentes enfrentaram a perda trágica de sua mãe, Yusmani, de seu irmão mais novo, Moissés, de 10 anos, e de sua avó, Carmen, sob os escombros do prédio de 12 andares onde moravam em La Guaira. Após migrarem para a Colômbia para reencontrar o pai, Deivid, eles vivenciaram um novo tremor de magnitude 7,4 na cidade de Cali apenas três dias após a chegada. Essa sequência de desastres naturais trouxe traumas profundos para a família, que tenta reconstruir a vida em um novo país.

Deivi (à esquerda) e Winder com o pai, Deivid
Os irmãos que perderam a mãe no terremoto da Venezuela e agora sofrem com o tremor na Colômbia: 'Eles nos perseguem'

A tragédia familiar começou em La Guaira, a região mais afetada pelos tremores em território venezuelano, onde o governo estima que o número de mortos tenha ultrapassado a marca de 6,3 mil pessoas. Os irmãos haviam ido à praia naquele dia e, ao retornarem por volta das 18h, sentiram o chão tremer com dois abalos sucessivos de magnitude 7,2 e 7,5 com apenas 39 segundos de diferença. Ao chegarem ao local de sua residência, encontraram apenas uma montanha de concreto e poeira onde antes ficava o lar da família. Diante do colapso dos serviços públicos, os próprios jovens iniciaram as buscas manuais pelos parentes soterrados no apartamento 107.

Durante as buscas exaustivas na Venezuela, os adolescentes atuaram como voluntários e ajudaram a resgatar outros sobreviventes em meio aos escombros da região costeira. A situação humanitária na região de La Guaira exigiu um esforço conjunto de vizinhos e familiares devido à limitação das equipes oficiais de salvamento. O pai dos jovens, que trabalhava em uma barbearia em Cali há quase uma década, viajou imediatamente para ajudar os filhos na busca incessante que durou 27 dias. Esse cenário de devastação assemelha-se a outros desastres na América do Sul, como o recente terremoto na Colômbia que mobilizou ajuda humanitária internacional.

A busca incessante após o terremoto

A busca incessante sob as lajes destruídas pelo terremoto exigiu que os irmãos utilizassem ferramentas simples como pás, picaretas, marretas e até facas de cozinha para abrir caminho. Por serem jovens e magros, Deivi e Winder eram chamados de toupeiras pelos vizinhos, pois conseguiam entrar em espaços extremamente estreitos para guiar os adultos. Munidos de lanternas e celulares, eles exploravam as frestas perigosas do edifício colapsado na esperança de localizar seus entes queridos. Essa técnica improvisada de salvamento foi fundamental para que a família conseguisse avançar pelos andares comprimidos do edifício residencial.

O primeiro indício físico da família surgiu quando Deivi reconheceu um tecido florido que pertencia à saia de sua avó Carmen entre os blocos de concreto. Com a ajuda de voluntários e ferramentas manuais, o corpo de Carmen foi retirado com cuidado para evitar que as escavadeiras pesadas danificassem os restos mortais. Pouco tempo depois, Winder localizou a mãe, Yusmani, que ainda usava uma touca de cabelo, e o irmão caçula, Moissés, que estava abraçado ao corpo dela sob uma grande laje. A retirada dos corpos encerrou um ciclo doloroso de buscas manuais e permitiu que a família realizasse as cerimônias fúnebres.

Após o sepultamento de seus familiares, Deivid e seus dois filhos decidiram migrar para a Colômbia em busca de segurança e novas oportunidades de trabalho e estudo. No entanto, a chegada a Cali coincidiu com um forte abalo sísmico de magnitude 7,4 que causou pânico generalizado na população local e destruição em várias cidades colombianas. A atividade sísmica na região andina é monitorada constantemente por órgãos de geologia, conforme registros históricos detalhados na Wikipédia sobre a instabilidade tectônica da América do Sul. Os irmãos relatam que sentem como se os tremores de terra os perseguissem continuamente desde a saída de sua terra natal.

A reconstrução de vidas sob o terremoto

O impacto psicológico causado pelo terremoto acompanha os adolescentes em sua nova rotina na cidade de Cali, onde o pai trabalha como barbeiro para sustentar a casa. Os jovens expressam o desejo de focar nos estudos e no trabalho para honrar a memória da mãe e do irmão mais novo. A resiliência demonstrada por Deivi e Winder chama a atenção de vizinhos e clientes da barbearia, que se solidarizam com a história de superação da família migrante. Especialistas apontam que o suporte psicológico é essencial para jovens que enfrentaram traumas extremos relacionados a desastres naturais dessa magnitude.

A situação de calamidade enfrentada pela família reflete os desafios enfrentados por milhares de refugiados e migrantes que fogem de crises e desastres na Venezuela. O terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia reacendeu o trauma nos jovens, que reviveram o medo do desabamento e da perda de entes queridos em solo estrangeiro. Naquela segunda-feira, dia 10 de agosto, o tremor em Cali mobilizou as autoridades locais e as equipes de resgate na Colômbia para prestar assistência às vítimas e avaliar os danos estruturais nos edifícios. Apesar do susto e dos danos materiais na região, os irmãos Delfín e seu pai não sofreram ferimentos físicos no novo episódio.

Atualmente, os irmãos buscam se adaptar à nova realidade colombiana enquanto lidam com as lembranças dolorosas do desastre em La Guaira. A história de sobrevivência de Deivi e Winder serve como um testemunho da força humana diante de catástrofes naturais devastadoras que assolam o continente sul-americano. O pai, Deivid, continua trabalhando arduamente para garantir um futuro digno aos filhos, incentivando-os a seguir em frente apesar das adversidades enfrentadas. A comunidade local em Cali tem oferecido apoio emocional e material para ajudar a família a superar as perdas e estabelecer uma nova vida produtiva.

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