Lula sem 'frente ampla' e Flávio isolado: por que líderes nas pesquisas têm apoio reduzido nesta eleição
Lula sem apoio Lula sem 'frente ampla' e Flávio isolado: por que líderes nas pesquisas têm apoio reduzido nesta eleição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas eleitorais, chegam para disputar a Presidência da…
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Lula sem apoio
Lula sem 'frente ampla' e Flávio isolado: por que líderes nas pesquisas têm apoio reduzido nesta eleição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas eleitorais, chegam para disputar a Presidência da República com um arco de apoio menor do que seus partidos alcançaram em 2022 e sem firmar alianças com o Centrão, grupo de centro-direita que reúne as outras maiores legendas do país.

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Alianças com partidos maiores tendem a significar mais palanques para conquistar votos nos Estados, acesso maior a recursos financeiros para a campanha e mais tempo de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão. Por isso, historicamente, candidatos com alianças maiores têm levado vantagem na disputa eleitoral, mas isso nem sempre é verdade.
Jair Bolsonaro venceu a eleição de 2018 concorrendo com apoio de duas siglas nanicas, PSL e PRTB. Naquele ano, Geraldo Alckmin concorreu pelo PSDB, com apoio de grandes legendas de centro-direita, mas não chegou ao segundo turno.
Lula e Flávio
A dificuldade em angariar apoios em 2026 não é apenas dos dois candidatos mais competitivos. Nenhum outro concorrente ao Palácio do Planalto, além de Lula, conseguiu montar uma coligação — é a primeira vez que isso ocorre em disputas presidenciais desde 1989, segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo.
Ou seja, quase todos os candidatos estão concorrendo apenas por seus próprios partidos. Segundo cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil, isso reflete mudanças estruturais na política brasileira.
Hoje, ressaltam, as grandes legendas têm preferido focar na disputa pelo Congresso, pois uma grande bancada garante acesso a uma maior quantidade de recursos por meio das emendas parlamentares (R$ 61 bilhões em 2026). Além disso, um maior número de deputados e senadores obriga que, qualquer que seja o presidente eleito, negocie apoio da sigla posteriormente.
Lula e o Centrão
Isso também acontece, nota Aragão, devido à forma como as siglas do Centrão se relacionam regionalmente com a forte polarização entre lulismo e bolsonarismo. É comum que esses partidos se aproximem do PT onde o partido de Lula é mais forte, como na região Nordeste, mas estejam posicionados à direita em outros Estados.
Com isso, essas siglas preferem manter neutralidade na disputa nacional para que as lideranças estaduais possam apoiar localmente os candidatos que preferirem. Um exemplo desse fenômeno é o PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, mas agora busca sua reeleição no Piauí, Estado de forte eleitorado lulista.
Em 2022, a sigla apoiou a tentativa de reeleição de Bolsonaro, mas agora decidiu não entrar na disputa pelo Palácio do Planalto. O mesmo ocorreu com o Republicanos.
Lula e Flávio
A resistência dessas duas siglas em repetir o apoio à família Bolsonaro, agora com Flávio, deixou o candidato do PL com pouca margem para escolha do candidato a vice. Entre os nomes cotados estavam o da senadora Tereza Cristina (PP) e da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), mas o escolhido acabou sendo o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), político de pouca projeção nacional.
Para o cientista político Lucas Aragão, da Arko Advice, a 'frente ampla' ao redor de Lula ganhou força em 2022 porque parte da sociedade entendia que a vitória de Jair Bolsonaro representava riscos para a democracia. Na sua leitura, essa percepção mudou.
Os riscos democráticos não são mais uma das principais pautas do país. Teve também escândalos do Banco Master que atingiram a imagem do STF e também reduziram o ímpeto em torno de uma batalha de proteção à democracia liderada pela Corte.
Lula e o PT
Lula, embora tenha reunido apoio de sete legendas, formou uma aliança restrita à esquerda. Apoiam sua tentativa de reeleição o PCdoB e o PV, que integram uma federação com o PT, a federação PSOL-Rede, além das siglas PSB e PDT.
O candidato a vice será novamente Geraldo Alckmin (PSB). Alianças à esquerda são um padrão nas campanhas petistas desde 2018, após o impeachment de Dilma Rousseff.
Antes disso, desde 2002, o PT sempre atraiu ao menos um partido de centro-direita para a disputa presidencial e chegou a concorrer coligado a grandes siglas em 2010 e 2014, quando Dilma foi reeleita, como MDB, PP e PSD.
Lula e a comunicação
Na visão do cientista político Creomar de Souza, 'Esse caráter de frente ampla foi se esvaziando pelas próprias escolhas do governo Lula' quando o presidente manteve os principais ministérios nas mãos do PT, como os cargos palacianos (Casa Civil, Relações Institucionais, Secretaria-Geral e Secretaria de Comunicação) e os ministérios da Fazenda e da Educação.
O partido elegeu 13% dos deputados e ficou com quase 40% do orçamento da Esplanada. Para Creomar de Souza, isso também se manifestou na comunicação do governo.
A cerimônia do ano passado sobre o 8 de janeiro foi uma festa do PT. Tudo em vermelho, toda a simbologia exaltando o PT e ignorando o fato de que houve, sim, uma coalizão institucional de muita gente para enfrentar o bolsonarismo.
Lula e a propaganda
O tempo de propaganda eleitoral de cada candidato presidencial ainda será calculado e divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 20 de agosto, após o fim do prazo para registro das candidaturas (15 de agosto). Considerando o definido nas convenções partidárias, apenas quatro candidatos devem ter direito à propaganda gratuita em rádio e televisão: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
Outras candidaturas que têm pontuado nas pesquisas eleitorais, como Romeu Zema (Novo), devem ficar de fora porque suas siglas não alcançaram a cláusula de desempenho — uma quantidade mínima de deputados federais eleitos e de votos para a Câmara em diferentes unidades da Federação.
Para mais informações sobre as eleições e os candidatos, acesse o site do Governo Federal ou consulte a Wikipédia.


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